Depois da primeira hora em que estávamos ali, as palavras pareciam fluir mais livremente que antes, sem amarras morais que impedissem a beleza, muitas vezes áspera, mas real dos conflitos existenciais que ela tratava com a naturalidade de uma rainha ao decidir o futuro incerto de seu povo. Gentis mãos de ferro, que marcam com fogo e amor. Alertava-me sobre os perigos filosofais que me aguardavam nos sarcófagos que eu andava enfiando meu nariz. Ela dizia que isso podia me amaldiçoar, mas segui em frente, afinal que há de ruim em um punhado de livros de séculos passados. Disse pra ela do desapego emocional que me incomodava e como gostaria de ser “atingido” da mesma forma que ela era. A garrafa se esvaziou como uma represa com as comportas abertas. Fomos para casa com uma certeza em nossos corações, o amor só é de verdade se compartilhado.