Quando deixamos de expressar o que
pensamos para supostamente não magoar os que nos rodeiam um frenesi de emoções
nos invade a uma velocidade sônica. Um momento de ira, depois certa angústia e
que finalmente se transforma em indiferença ideológica reprimida. Mas fazer
isso com frequência acaba nos consumindo por dentro, até que uma pequena
fagulha incendeia tudo e queima tudo, mesmo quem não foi o causador desse acúmulo.
Não é possível trocar a ira por indiferença ideológica sem que alguma sequela seja
deixada para trás. Não se pode ser amigo de todos, por mais que se tente ou
mesmo que se queira de verdade, essa é uma regra que rege todos os seres
humanos sem distinção. A relação que temos com a tecnologia hoje em dia nos afasta,
isso sabemos, mas ela também é responsável por concessões que fazemos o tempo
todo para conseguir se aproximar das pessoas ou mesmo mantê-las por perto. Com
o contato físico cada vez mais restrito devido ao tempo que cada um dispõe,
ficamos no virtual mesmo. E esse simulacro sugere que a solução para não se
perder essas amizades virtuais tão essenciais é ceder, deixar de opinar com veemência
e ser indiferente. Claro que temos de ponderar as palavras e respirar fundo
antes de declamá-las, a máxima de que não se deve aumentar o tom de voz e sim
melhorar os argumentos é válida quase sempre. Só não podemos deixar nossas
opiniões guardadas em casa e sair balançando a cabeça positivamente a todo
instante tentando ser político e simpático. Precisamos de pessoas de verdade.
Não temos medo de expressar o que pensamos por medo de magoar os outros mas sim por medo de como nós mesmos vamos lidar com a reação do outro. Medo de como "o outro" reagiria com você, no fundo temos medos de nos machucar. Agente tem medo "do outro" e "o outro" tem medo da gente.
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